Hipercalvinismo

O The Presbyterian Journal, de 18 de novembro de 1981, inclui um artigo do Rev. Donald A. Dunkerley intitulado “Hipercalvinismo Hoje”. Esse autor deve ser grandemente elogiado, pois ele sabe o que significa hipercalvinismo, e apresenta a definição com clareza. A maioria dos escritores e pregadores populares não sabem o que significa hipercalvinismo, nem apresentam uma definição. Hipercalvinismo é “aquela visão de calvinismo que defende ‘não existir nenhuma chamada universal a Cristo enviada a todos os pecadores, e que os homens não são ordenados a tomá-lo como seu Salvador’. Os hiper-calvinistas mantém que Cristo deveria ser apresentado ou oferecido como Salvador somente àqueles a quem Deus chama eficazmente” (14).

Parece que existem tais pessoas; pessoas que são chamadas com escárnio de batistas hardshell [cascas duras]. Deve haver poucas dessas pessoas, e eu não conheço nenhum presbiteriano que se qualificaria. O próprio Dunkerley reconhece que eles são “uma minoria quase insignificante”.

Todavia, embora saiba muito bem o que o termo significa, ele quer estender os seus tons pejorativos a pessoas a quem o termo não se aplica. Seu método é fazer perguntas retóricas que ele quer que os seus leitores respondam no afirmativo, quando a resposta correta é claramente a negativa. A despeito do seu reconhecimento que os hipercalvinistas são uma minoria quase insignificante, e após descrever várias formas de evangelismo, ele reclama que “carecemos e precisamos urgentemente em nossos dias de um evangelismo de compaixão”. Bem, isso é verdade, mas em seu contexto isso parece significar que o hipercalvinismo é quase a pior aberração do século vinte. Talvez também do século dezoito, pois Whitefield, a quem ele cita com aprovação, dificilmente evidencia os métodos evangelísticos que ele parece exigir.

Sem dúvida a Bíblia ordena que preguemos o Evangelho a todos os homens. A um hipercalvinista que insistia que um ministro deveria pregar o Evangelho somente aos eleitos, Clarence Edward Macartney, se lembro-me corretamente, replicou: “Aponte para mim quais pessoas são as eleitas e eu confinarei a minha pregação a elas”.

Mas quando o sr. Dunkerley quer dizer a todo o mundo que “Deus ama você”, pergunto-me como ele pode defender essa frase quando não somente Jacó, mas Esaú também está na audiência.

Gordon H. Clark, The Sovereignty of God.

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